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Desmistificando o Código Florestal.

sáb - 26/11/2011 Deixe um comentário

Como eu disse eram muitos temas e apesar de estar de certa forma atrasado para falar de um projeto de lei de 1999 que começou a ser discutido em Março deste ano, sinto que estou em tempo. Isso porque continuam vindo ainda muitas mentiras a respeito do texto de Aldo Rebelo.

A grande verdade é que a letra do projeto de lei nº1876, de 1999 – Código Florestal – é incrivelmente simples, porém, longa de se ler. Existem muitos artigos e incisos que são apenas documentais e que acabam consumindo tempo, mas creio que vocês estão aqui para o que interessa.

No caso, antes de começarmos, preparei um arquivo, que seria um código florestal simplificado. Ele é composto do texto, com sublinhados e comentários para facilitar e se possível agilizar a leitura de trinta e sete páginas – trinta e seis do código mais uma da emenda nº164. Vocês podem pegar aqui o simplificado que preparei, e aqui o projeto de lei não alterado junto com a emenda nº 164.

Agora, hey ho, let’s go. O que falam a respeito deste código que tanto causa polêmica.

A primeiro falácia que ouvimos é de que haverá anistia a quem desmatou até 22 de julho de 2008. Isso é descabido, pois o texto diz claramente:

Art. 33. A União, os Estados e o Distrito Federal deverão implantar programas de regularização ambiental…

§ 1º. As condições… serão definidas… sendo a inscrição do imóvel rural no CAR obrigatória…

§ 2º. A adesão… deverá ocorrer no prazo de um ano…

§ 4º. Durante o prazo… enquanto estiver sendo cumprindo o Termo de Adesão e Compromisso, o proprietário ou possuidor não poderá ser autuado e serão suspensas as sanções decorrentes de infrações cometidas antes de 22 de julho de 2008.

§ 5º. Cumpridas as obrigações estabelecidas no Programa de Regularização Ambiental… … as multas, referidas neste artigo, serão consideradas como convertidas em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente, legitimando as áreas que remanesceram ocupadas…”

Ou seja, as multas serão suspensas e só se tornarão um “perdão” caso todas as obrigações de preservação, reflorestamento, melhorias, etc. que serão estabelecidas no PRA para cada um daqueles que desmatou até 22 de julho, sejam cumpridas à risca e até o fim. Não há perdão. E para quem desmatou ou destruiu após 22 de julho a multa não será suspensa e ainda será obrigatório cumprir o PRA.

Segunda falácia. A Reserva Legal – RL – das propriedades rurais seria insuficiente.

Como determina o Art. 13:

Art. 13. Todo imóvel rural deve manter área com cobertura de vegetação nativa, a título de Reserva Legal, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente, observando os seguintes percentuais mínimos em relação a área do imóvel:

I – localizado na Amazônia Legal:

a)      oitenta por cento, no imóvel situado em área de florestas;

b)      trinta e cinco por cento, no imóvel situado em área de cerrado;

c)      vinte por cento, no imóvel situado em área de campos gerais;

II – localizado nas demais regiões do País; vinte por cento;

Levando em consideração que até esta proposta, área de Reserva Legal e principalmente com estes valores, era algo inexistente, como podemos achar que isso é pouco? Zero por cento é pouco e mesmo vinte por cento é muito se formos pensar que é um quinto – não dos infernos neste caso. Além do que, em muitos casos as APPs não podem entrar como Reserva Legal e devem ser contadas separadamente, consumindo assim área do proprietário ou usuário da terra.

Um possível, mas falso terceiro argumento, seria o de que populações – em especial indígenas – seriam desalojadas dos locais onde vivem por causa da Reserva Legal em propriedades. Mas o § 4º. do art. 13 diz:

“§ 4º. Nos casos da alínea a do inciso 1, o Poder Público poderá reduzir a Reserva Legal para até cinquenta por cento, para fins de recomposição, quando o Município tiver mais de cinquenta por cento da área ocupada por unidades de conservação da natureza de domínio público e terras indígenas demarcadas.

Nenhum índio será desalojado no processo. Aliás, a lei se adapta ao município que fizer fronteira ou de alguma forma- não sei como isso seria possível – incluir terras indígenas dentro de seus limites, amortizando a quantidade de reserva legal. Alguns podem achar que retirar trinta por cento de reserva legal de um município é muito. Mas achar que as pessoas que moram lá, morariam na copa das árvores é surreal.

Motosserras. Sinceramente, não sei porque cargas d’água, mas ouvi falar que esse Código Florestal seria a lei das motosseras e muita gente está pedindo – nas redes sociais… ai ai –  para a Dilma vetar. Só que o mais engraçado é que as motosserras neste projeto de lei foram comparadas à armas de fogo. Dêem uma olhada:

Art. 59. São obrigados a registro… estabelecimentos comercias responsáveis pela comercialização de motosserras, bem como aqueles que as adquirirem.

§ 1º. A licença para o porte e uso de motosserras será renovada a cada 2 (dois) anos.

§ 2º. Os fabricantes de motosserras são obrigados a imprimir, em local visível do equipamento, numeração cuja sequência será encaminhada ao órgão federal competente do SISNAMA e constará nas correspondetes notas fiscais.”

Sei que uma motosserra pode ser uma arma perigosa – jogos de computador onde pessoas matam zumbis mostram isso –, mas precisar ter documentos de porte e uso que são renovados a cada dois anos é compará-las à armas de fogo. Não que isso seja ruim, pois aumenta-se a fiscalização e uma motosserra ilegal já é suficiente para paralisar toda uma exploração madeireira. Mas Lei das Motosserras, por quê? É porque quase as proíbe? Mas estavam dizendo como se fosse ser usado freneticamente e desenfreadamente contra as árvores… ai ai, vai entender.

Outra coisa. Sobre APPs em margens de rios, alguns estão chutando que elas equivaleriam a muito menos do que na verdade está escrito. Onde está escrito mínimo de trinta (30) metros, alguns falam em dez (10) ou até mesmo sete (7) metros.

O Art. 4 é também muito preciso e não deixa espaço para dúvidas.

Art. 4. Considera-se Área de Preservação Permanente, em zonas rurais ou urbanas, pelo só efeito desta Lei:

I – as faixas marginais de quaquer curso d’água natural, desde a borda da calha do leito regular, em largura mínima de:

a)      30 (trinta) metros, para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura, observado o disposto no art. 35;

b)      50 (cinquenta) metros, para os cursos d’água que tenha de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura;

c)      100 (cem) metros, para os cursos d’água que tenha de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura;

d)     200 (duzentos) metros, para os cursos d’água que tenha de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;

e)      500 (quinhentos) metros, para os cursos d’água que tenham largura superior a  600 (seiscentos) metros de largura;”

As APPs estão nos conformes e as margens de rios se o projeto for aprovado, e de fato implementado, estarão seguras.

Óbvio que tem muito mais texto no projeto de lei do que apenas isso. Mas como eu já disse lá em cima, peguem os arquivos e dêem uma lida na versão simplificada que é nada mais que a letra da Lei mais grifos importantes e comentários.

Acreditem pessoal, o projeto nº1876 ou Código Florestal, não é complicado tampouco é perverso, pois quanto mais complicada for uma lei, mais difícil ela é de aplicar. Perversa é essa discussão inútil que está sendo travada sobre coisas que não estão e nunca estiveram no texto e que podem tornar uma lei simples, numa lei complicada e inaplicável.

Espero que isso ajude um pouco a todos. Certamente ler o código me ajudou e quem achar algum erro nos documentos que preparei – este post e o código com grifos e comentários – por favor mande um e-mail para nosso pub falando a parte que está errada e porquê está errada. Ficarei mais do que feliz em corrigir possíveis erros de minha parte.

De qualquer maneira, a equipe do Fox Pub deseja a vós todos um bom fim de semana responsável.

Invasão da reitoria da Usp – parte 4

qua - 09/11/2011 Deixe um comentário

Sei que eu disse que voltaríamos a tranquilidade de Pub e de fato voltaremos. Hoje teremos (será o primeiro postado) um texto muito mais gostoso, afinal foi cozinhado lentamente em fogo brando. Mas como eu também disse, a medida que coisas interessantes fossem surgindo elas seriam colocadas aqui.

Vou para o Estadão e me deparo com estas notícias. Me pergunto logo em seguida: Espera. “Estudantes” fazendo greve? Greve de quê? O que eles ganham fazendo isso?

As minhas respostas foram: Mas eles são “estudantes” não trabalham na Universidade, estudam lá. Além do mais a Universidade é pública, eles pagam nada e a única eventual coisa que podem ganhar, também é nada. Quem talvez pode vir a ganhar com isso podem ser os professores que não estejam a fim de dar aula e funcionários que não terão um grande movimento na Universidade e grande número de pessoas para atender.

Aliás, eles apenas perdem com isso. Perdem aulas, provas ─ principalmente agora que é final de semestre ─ novas chances de aprender alguma coisa e mudam em nada a situação. Isso é um troço estranho. Uma coisa seria o caso de professores fazerem greve para reivindicar condições melhores de trabalhos em vários quesitos ─ instalações, plano de carreira, salários, material preparatório e didático, etc.. Agora outra completamente oposta são estudantes fazerem greve por causa de um crime que eles por venturam apoiam. Neste caso não creio que se trate de estudantes, mas sim estudantecos estes os que apoiam e estão em greve.

Agora outra coisa para fechar o post e o dia com bom humor. Vi este vídeo no blog do Reinaldo Azevedo da Veja e ele é simplesmente hilário.

Tive que me segurar para não rir. E depois de ver isso, admito que minhas preocupações quanto a uma possível desmoralização da PM foi infundada. A “jornalista”, apesar de estar histérica, foi tratada com um respeito que muitos talvez me diriam que ela não merecia.

O vídeo é claro. Os policiais estão ali cumprindo ordens judiciais de reintegração de posse e manutenção da ordem pública. Distribuir “borracha, cacetete e porrada” nos estudantecos ou em qualquer transeunte, não está entre as ordens, apesar da permissão para tal caso as coisas fujam do controle.

Ai ai. De qualquer forma, ainda reitero meu voto de que a Polícia não utilize de violência, é contra produtivo e o buraco é mais embaixo. Na realidade, sempre o é. Segurança é um assunto que interessa a todos e não se resolve apenas com polícia, isso é verdade. Mas a polícia, deve e precisa, ser complementar a outras fatores como iluminação e movimento por exemplo.

Afinal de contas é fato que crimes são cometidos mais facilmente em lugares ermos. Coisa que quem já visitou a cidade universitária sabe que existe. Porém, transformar um local deserto e obscuro em um local movimentado, iluminado e potencialmente mais seguro, é algo que consome recursos.

Dentre eles o mais caro de todos é o tempo e como ele é de certa forma escasso para resolver problemas que estão acontecendo agora, sou a favor da Polícia ficar. Aliás, sou a favor da Polícia ficar e continuar mesmo depois das eventuais obras e melhorias, pois as leis que valem no território nacional também valem na USP. Sem mais.

A equipe do Fox Pub deseja a todos um bom resto de semana.

Invasão da reitoria da Usp – parte 3

ter - 08/11/2011 Deixe um comentário

Sim, temos post hoje também, a partir de quarta voltamos a textos mais leves.

E tudo saiu em tese bem melhor do que eu esperava. Muito bem, a desocupação do prédio foi dada e apesar da Polícia ter precisado da Tropa de Choque, ninguém saiu ferido e foi de maneira pode-se dizer tranquila. Não creio, e torço para que não aconteça, que os invasores se farão de vítimas e mentirão dizendo que foram agredidos. A PM ocupou o local enquanto os invasores estavam dormindo, o que garantiu o ataque surpresa. Vendo-se cercados, em menor número e sem poder de fogo a altura para revidar cassetetes e armas com munição de borracha, um pouco de sensatez os acometeu e eles preferiram evitar a dor.

Muito bem, a reitoria foi reintegrada e as prováveis reformas ─ sim reformas ─ irão começar em breve para que as coisas voltem a normalidade. Mas isso ainda não satisfaz minha sede por Justiça. Como já disse, não sou a favor da violência, ela é contra-producente, porém, sou completamente a favor destes criminosos serem indiciados em todos os crimes cabíveis e responderem judicialmente como os adultos que são.

Mas vamos para algumas considerações que creio finais. Afinal de contas ainda acho que essa rebeldia sem causa vai se prolongar durante um tempo.

1 – Eles agrediram a imprensa.
Minha pergunta é: Por quê? Seria a mesma coisa que se deu com a polícia no dia 27? Com sorte não, mas como podem ver pela matéria do Estadão e por excelentes fotografias da Folha de São Paulo, (Ver abaixo) nota-se que eles não tem muita paciência com pessoas que estavam: desarmadas, com mobilidade reduzida ─ no caso de cinegrafistas, pois uma câmera pesa ─ e apenas fazendo o trabalho deles que é ouvir os dois lados da questão.

Primeiro um acalorado bate boca

A agressão começa

É preciso de números para parar a luta

 

 

 

 

 

 

Muitos daqueles invasores condenam a imprensa e dizem que a mídia é manipuladora. Mas ouvir os dois lados é um dos príncipios de muitas profissões, dentre elas, do Jornalismo. Ou seja, eles tinham a chance de se defender e dizer o que quisessem, mas preferiram agredí-los gratuitamente.

2 – Eles são vândalos.
Caso o fato de terem depredado 6 viaturas policiais, destruído um portão e câmeras de segurança não fosse o suficiente, a Folha fez uma galeria com fotos da reintegração e do que foi achado. Deem uma olhada na galeria, mas aqui vão três só como exemplo.

Vandalismo, a gente vê por aqui.

Farmácia improvisada num balcão

Isso, prédios gostam de dar tapas em aviões e matar pessoas.

 

 

 

 

 

 

3 – Eles estavam armados.
Não era o caso de armas de fogo, mas sim de explosivos ─ rojões e fábricação improvisada. Sabemos que um protesto ou manifestação passou do ponto quando seus manifestantes estão armados. Afinal de contas, nada contra a livre manifestação de ideias. Faz parte do jogo democrático. Mas a livre manifestação de ideias deve ser feita sem armas, do contrário temos que tratar os manifestantes como uma possível ameaça. Digo isso para quem defende esses criminosos. Lamento, mas eles eram uma possível ameaça desde o início no dia 27. São criminosos desde o dia 27 quando atacaram covardemente 18 oficiais da PM e depredaram 6 viaturas.

Eventualmente, caso novas coisas interessantes venham a surgir, atualizo este post. Mas agora, podemos voltar a nossa tranquilidade de Pub.

O Fox Pub, deseja a todos uma excelente terça-feira e responsabilidade ao beber.

Invasão da reitoria da Usp – parte 2

seg - 07/11/2011 Deixe um comentário

Muito bem, eu de fato não estava sabendo sobre audiência do sábado e tampouco esperava que o prazo seria estendido até segunda as 2300. Mas isso ainda assim não muda algumas coisas, como a decisão da juíza e de que a Polícia provavelmente terá de entrar. Antes de mais nada, não estou ao lado dos criminosos VASPs. Só não gostaria que a Polícia usasse de  força, pois sairá brutalmente desmoralizada quando os criminosos começarem a se fazer de vítima e setores aliados na política e na imprensa começarem a dizer – como já o fizeram muitas vezes ao curso desses dias – que foi um exagero por parte dela. Além de que não defendo o uso de violência. É contraproducente. O tempo e energia perdidos poderia ser muito melhor empregado. Mas que seja, vamos ao que nos interessa.

Temos algumas novas. O Estadão publicou um artigo excelente que explica muita coisa e levanta algumas questões por parte de quem gosta de usar um pouco de lógica. Como sempre, peguem o aqui enquanto isso vamos lá analisar o texto.

“Nossa luta é para derrotar o capitalismo a partir de uma estratégia de luta de classes”, diz o diretor do Sintusp Marcelo Pablito, de 29 anos, da Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI)”

Luta para derrota o capitalismo via luta de classes? Ok. Eu até poderia aceitar essa frase, caso muitos já não tivessem comprovado que se tratam de VASPs. Mas vou direto até a parte que realmente me interessa.

Falso brilhante

Embrulhada em uma manta xadrez, um par de botinhas gastas nos pés, meia listrada, uma manifestante rechaça a reportagem: “Eu me recuso a falar com a imprensa corporativista burguesa!” Outra, com cabelos cortados como os de Elis Regina na época do show Falso Brilhante, diz. “Amigo, você não é bem-vindo.” A presença da imprensa mobiliza mais os manifestantes do que as pautas da assembleia. “Companheiros!”, grita ao microfone o primeiro a discursar. “Vocês acham que as televisões devem filmar a assembleia?”

“Nããão!!”, gritam todos.

“Pedimos, então, que a imprensa desligue as luzes e se retire!”

“Êêêêê!”"

Está na cara, mas o sublinhado sempre é bom. Quer dizer que a mera presença da imprensa mobiliza mais que as pautas. Das duas, duas. As pautas devem ser incrivelmente chatas e sem sentido.  Mas o texto continua e de maneira bem interessante:

“Há um bolinho de manifestantes querendo discursar. Quando eles próprios percebem que a assembleia pode durar para sempre, convoca-se um plebiscito para decidir um limite de tempo – 40 minutos, 1 hora ou 1h40. Vota-se pelos 40 minutos. Um estudante de Engenharia morador do Conjunto Residencial da USP (Crusp) ri sozinho. “Eles perdem 15 minutos só decidindo quanto tempo vai durar a assembleia.”"

Preciso mesmo falar alguma coisa? Nem os caras se aguentam! Como o próprio aluno da engenharia disse, eles perdem mais tempo decidindo quanto tempo durará a assembléia do que discursando e ainda por cima escolhem a menor quantidade de tempo possível. Conhecendo discursos esquerdistas e “revolucionários” ─ que pode ser montado incrívelmente rápido, diga-se de passagem ─ eles tendem a durar uma semi eternidade.

Mas continua:

“Pelo que se depreende em conversas com estudantes para além da Reitoria, a pauta deles é bastante abrangente. Passa pela proposta de uma reviravolta socio-econômico-cultural que parte da USP e se ramifica em direção aos grotões esquecidos do País. Pretende reestruturar as relações entre elite e trabalhadores, negros e brancos, homens e mulheres.

“Pessoal, a gente pode estar a poucos dias de desencadear um processo de revolução sem volta. Isso é fazer história!”, brada Rafael, em seu informe.”

Essa frase seria até engraçada se não fosse triste. Afinal basicamente o que esse invasor sugere é que entremos novamente num período de ditadura, pois, não sei se vocês sabem, mas URSS ─ que faliu, caiu, se desfez e agora os antigos territórios possuem conflitos étnicos deploráveis  ─ Cuba, China e Coréia do Norte, não são lá grandes exemplos de democracia. E ainda nesse assunto de revolução, se existem os “revolucionários” existem também por sua vez os contra-revolucionários. Eu por exemplo seria um contra revolucionário. Muitas das pessoas com quem falo são contra-revolucionárias e das pessoas com quem falei desde sábado até hoje, posso dizer que não foram tão amigáveis quanto eu no quesito uso de força. Diria que dentre todas elas, uma, não sugeriu que se usasse “borracha” contra aqueles criminosos.

Ainda na mesma notícia temos:

“Para além da PM, a patrulha é grande. Falsos esquerdistas podem cair em desgraça a qualquer momento. É recomendável usar com desenvoltura expressões como “opressão”, “portas de fábrica”, “O Capital” e “Glauber”. “

A patrulha é existente dentro da patrulha, olha só que legal. Como já disse lá em cima, nem os criminosos conseguem se aguentar e julgam-se mais verdadeiros ou falsos esquerdistas, seria como se quem não fosse esquerdista o suficiente tivesse traído o movimento Punk, véio.

Agora o Carnaval: nessa notícia aqui é provado que os criminosos continuam apostando na impunidade:

“Os manifestantes que se encobrem dizem que tapar o rosto é um meio de dificultar a sua identificação pela Reitoria da USP e, assim, evitar possíveis processos administrativos – e até criminais – movidos pela universidade.”

Mais legal é que eles ainda compartilham as máscaras. Em tese está pelo menos ideologicamente correto, já que no comunismo tudo é de todos.

Para encerrar, visto que vou esperar até as 2300 pelo desfecho desse caso, alguns já me disserram que posso estar pegando pesado demais. Discordo, acho que sou até brando. Falo o que falo pois a discrepância de ideias faz parte da democracia. Mas as responsabilidades pelos atos e pelas suas palavras também. Quando as pessoas fazem escolhas morais que vão contra regras instituídas pela sociedade e para a sociedade elas tornam-se criminosas, portanto devem ser tratadas como tal.

A equipe do Fox Pub deseja a todos um bom início de semana.

Invasão da reitoria da Usp – parte 1

sáb - 05/11/2011 1 comentário

Parte 1 pois o texto é longo e eu preciso saber o que acontecerá, mas vamos do começo.

Fiz um resumo ontem do que aconteceu,e ainda está acontecendo na USP. Disse que alguns VASPs ─ e isso vai ganhar uma nota a parte quando for a hora ─ invadiram o prédio da reitoria e fizeram suas exigências. Mas como tudo isto começou? Eis a grande pergunta.

27/10/2011 – por volta das 1800/1900 h.
A polícia, ao receber uma denúncia de que três estudantes dentro de um carro estavam portando e fumando maconha despachou uma viatura para averiguar a situação. Os policiais que pegaram os documentos dos alunos ─ procedimento padrão ─ e que queriam levá-los até a delegacia para que eles pudessem assinar um termo de compromisso. Não era nem uma ocorrência, apenas um documento dizendo que eles foram até a delegacia e seus pais seriam avisados.

De qualquer maneira isso não chegou a acontecer. De acordo com o Estadão (caso o link não funcione, pegue o cache do google aqui)”… a situação esquentou com a chegada de integrantes do Sindicato dos Funcionários da USP, que iniciaram o bate-boca. Mais alunos foram se aglomerando e a tentativa de professores e PMs de contornar a situação foi interrompida.”

Interessante eles citarem isto que sublinhei ali em cima pois a Veja online confirma isso: “Apesar da resistência, os três foram levados para o 91º DP, na Vila Leopoldina, mas tiveram de ir até lá no carro da diretora da Faculdade de História, Sandra Nitrine, que tentou o tempo todo evitar o tumulto.” Eu me pergunto por que a diretora da faculdade de História foi defender alunos que fumavam maconha, mas isso poderia ser considerado irrelevante… tirem suas próprias conclusões.

Mas voltemos à aglomeração. Cerca de 300 pessoas, entre eles funcionários e alunos começaram a agredir os policias que para se defender pediram reforço ─ 16 outros policiais ─ e disporam de seu armamento não letal como forma de defesa. Isso não impediu que ainda assim três deles fossem feridos, sendo dois por pedradas e tivessem seis viaturas depredadas.

Eu noto uma certa disciplina, diria até que invejável, pela parte dos policiais. Afinal foram 18 contra 300 ─ e não importa que você tenha armas de fogo, isso ainda são 16 pessoas para cada policial ─ e tudo o que eles fizeram foi se defender. Alguns dizem: “Mas usaram bombas de efeito moral.” Vamos lá, bombas de efeito moral funcionam a base de gás lacrimogênio. Que como o próprio nome diz ─ vem de lácrima ─ faz chorar e apenas chorar. Não existem outros efeitos e mais: bombas não escolhem alvos. Logo, parafraseando um velho ditado, a mão que bate em Chico bate também em Francisco, os policiais também são afetados por suas próprias armas.

Quero ressaltar isso, pois algo que era muito simples ─ Denúncia de porte e consumo de drogas ilícitas + assinatura de termo de compromisso ─ se tornou um caos generalizado onde, olhem só, quem foi vítima foram os policiais. Qualquer ser sensato sabe que briga de gangue é injusta. Principalmente quando você está sozinho e o valentão vai para cima de você com 7 outros. Mas caso ainda reste dúvidas sobre minhas palavras, aqui vai algumas imagens da balbúrdia.

Policiais tentam refrear o caos pacificamente

Diálogo é inexistente

Aluno surfa em cima de viatura policial

Cavalete é atirado e policiais se defendem como podem.

Acuados, PMs usam último recurso. Gás de efeito moral.

 

 

 

 

 

 

Muito bem, depois de tudo isto, o que aconteceu depois? O prédio da FFLCH foi invadido.

28/10/2011 – Os invasores que tomaram o controle do prédio da FFLCH manifestaram se pedindo a expulsão da PM do campus e do reitor João Grandino Rodas. Cartazes dos mais diversos ─ incluindo um com grotescos erros ortográficos corrigidos as pressas ─ puderam ser vistos:

Lamento, mas lembra um pouco as FARC

"Trabaliadores" e "braço armados"

Ordens de fora para PM e reitor.

 

 

 

 

 

 

O grupo de invasores que se manteve no prédio da FFLCH eventualmente migrou para o prédio da reitoria, mas isso foi apenas no dia dois de novembro. Vale ressaltar, portanto, matérias feitas durante este dia. Estadão e Veja Online.

29/10/2011
A Polícia apura números muito interessantes, e mostra que a média de todos os crimes cometidos na USP caíram em 90% após o início do convênio e de um policiamente mais intensivo.

Engraçado não? O xabu todo começou depois que um estudante foi, lamentavelmente, assassinado dentro da cidade universitária, mas depois que a polícia chegou os crimes diminuíram drasticamente. Fico me perguntando ─ assim como me pergunto do porquê cargas d’água uma diretora partiria para a defesa de três adultos portando e consumindo drogas ilícitas ─ se a USP não seria um ponto ou um reduto de bandidos?

Não creio que existam bandidos morando na USP ─ Nunca se sabe. Talvez no CRUSP, mas prefiro não acusar sem provas ─ mas que parece que houve uma fuga de criminosos parece. Afinal de contas, o contingente lá, não é tão extenso quanto seria ideal para um patrulhamento deveras efetivo. De qualquer maneira, com números em mãos, a única conclusão que tiro disso é: A presença da Polícia foi mais que positiva, afinal estudantes ─ e creio que ninguém ─ não gostariam de ter de se preocupar a todo instante com a segurança de sua vida quando estão exercendo seu trabalho/ocupação ou então apenas em processo de deslocamento.

30/10/2011
Nesse dia ocorreu uma manifestação na praça do relógio em apoio a PM. Duzentos estudantes de diversas faculdades da USP  se reuniram para dizer que os protestos e o caos ocorrido alguns dias antes foi causada por uma minoria radical dos alunos. Um total que diga se de passagem, ainda representa uma maioria mais expressiva do que os invasores ─ entenda porque digo que é um número expressivo aqui. Pode ser conferido aqui e aqui.

É de certa forma estranho o debate Contra-PM x Pró-PM, pelo motivo de que o primeiro lado alega que a PM repreende e impede a produção acadêmica. Enquanto o outro lado argumenta que a segurança é necessária e mais importante, as leis que valem no resto do País, valem na USP também. Afinal de contas, é a mesma constituição. Algo que seria dito pelo reitor alguns dias depois no dia 4 e que faz um grande sentido. A USP é uma região autônoma, porém, não soberana. Ela não está acima das leis do País.

31/10/2011
O conselho da FFLCH tenta negociar uma possível desocupação por parte dos invasores, mas estranhamente a reunião acabou sendo em defesa dos invasores ─ que durante este tempo todo impediram o bom funcionamento da faculdade ─ e em repúdio a PM. Outra pergunta, que tipo de faculdade defende pessoas que invadiram seu próprio prédio? Desculpem, mas para mim é estranho, afinal é quase como ter uma pessoa com Síndrome de Estocolmo ─ caso onde a pessoa sofre um distúrbio psicológico ao tentar identificar-se e ter empatia pelo seu sequestrador, as vezes chegando ao ponto de defendê-lo. De qualquer forma, isso pode ser verificado aqui.

01/11/2011
É convocada uma assembléia no prédio da FFLCH para discutir se os alunos continuariam com a invasão. Depois de perderem, oficialmente na madrugada de quarta-feira a invasão se dá. Pode ser visto aqui no Estadão e eu gostaria de chamar a atenção para alguns dos trechos desta matéria.

“Na noite de terça, 1.º de novembro, uma assembleia de cinco horas de duração no vão do prédio da História decidiu, por 559 votos contra 458, pelo fim da ocupação do edifício da diretoria da FFLCH, iniciada na madrugada da última sexta-feira, 28.”

“Após duas votações sem maioria expressiva, o comando da assembleia, formado por um diretor do DCE e uma representante do Centro Acadêmico da Letras, resolveu encerrar os trabalhos. Já passava de 23h30 e uma das primeiras deliberações da assembleia, por volta das 19h, era de que a reunião terminaria às 22h.

Com isso, a maioria dos alunos que queria discutir os “eixos políticos” e o calendário de atividades se retirou. Mas logo em seguida um outro grupo de estudantes assumiu o comando da assembleia e começou nova reunião. Em nova votação, venceu a proposta de discutir a invasão da reitoria. Na derradeira votação, a maioria aprovou a ocupação do prédio da administração central.”

Ou seja, a minoria que queria a invasão foi derrotada democraticamente. Pediu outra votação. Perdeu. Mais uma. Perdeu. As pessoas que ─ imagino eu ─ deveriam ter coisas muito melhores a fazer do que continuar derrotando uma minoria numa questão dessas, se retiraram e os que sobraram decidiram a favor de invadir a reitoria. Foram cerca de 100 pessoas que invadiram a reitoria, um terço das pessoas que começaram o caos no dia 27/10. Isso meus caros, é a minoria da minoria impondo sua vontade.

Foi então que esses VASPs ─ Vagabundos Anônimos Sustentados pelos Pais, e já explico o porquê disso ─ fizeram o que fizeram.

02/11/2011 – Por volta de 0100
Os vídeos falam por si só nesse caso.

Bem, se o ato de depredar seis viaturas ─ como se fosse pouca coisa ─ não configurasse vandalismo, estes dois vídeos certamente configuram. E olha só que legal, vandalismo é crime.

Citando o Código Penal:
Art. 163 – Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Parágrafo único – Se o crime é cometido:
I – com violência à pessoa ou grave ameaça;
II – com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais grave;
III – contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista; (Alterado pela L-005.346-1967)
IV – por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:

Sou a favor dos VASPs pagarem a conta. Quem mais é a favor? Eles tem dinheiro, ou ao menos seus pais tem, deixem me explicar o porquê. Duas imagens que enquanto eu pesquisava e acompanhava essas coisas que me chamaram muito a atenção. Vejam.

Usando Gap e RayBan ele luta pelo poder popular...

Esse carro parece novo demais para esquerda radical.

Assim, tenho uma pergunta a vocês. Não acham estranho radicais de extrema esquerda usarem GAP e RayBan e terem um carro novo, creio que quase zero?

Assim, nada contra as pessoas possuírem bens de luxo ─ visto que um blusão da GAP custa em média R$ 210, RayBans a partir de R$ 480 e um carro novo (vai não é de luxo, mas é caro) não custar hoje menos de R$ 30000 ─ desde que tenham o dinheiro para pagar.

Só acho um tanto quanto hipócrita alguém que luta pelo comunismo ─ extrema esquerda + poder popular, geralmente igual à comunismo ─ ter um vestuário que custa mais de um salário mínimo. Acho que é um tanto quanto ideologicamente oposto, sabe? Por isso VASPs. Levando em conta que um trabalhador comum ganha em média de 1 ~ 3 salários mínimos ─ e ainda estou sendo bonzinho com esse ponto de máxima e mínima ─ ter bens como esses é possível. Mas incrivelmente não usual. (E são sim correntes de extrema esquerda, vejam aqui)

Portanto a única conclusão que chego é: VASPs – Vagabundos Anônimos (E nesse caso anônimo mesmo, visto que se escondem.) Sustentados pelos Pais.

E pelo que eles lutam? Ou ao menos o que eles exigiram? Que se anistie os processos administrativos e que a PM saia do campus junto com o reitor. E alguns, desculpem me a palavra, mas, idiotas, dentre esses invasores ─ que imagino que não sabem o mínimo de como o governo funciona, pois quem sabe, sabe discutir ─ querem também a descriminalização da maconha. Quanto ao último, descriminalizar maconha ou não, é um assunto que cabe ao Legislativo e essa discussão se eu fizer será para outro dia. Só para fechar eles podem querer o que quiserem, mas isso eles não podem conseguir da USP.

03/11/2011
Foi declarado todo o último parágrafo escrito acima. A reitoria entrou com um mandado de reintegração de posse. A juíza Simone Gomes deferiu e ordenou que os invasores ─ assim que tomassem conhecimento oficial ─ deveriam deixar o prédio pacificamente num período de 24 horas.

04/11/2011
Formaliza-se enfim o mandado de reintegração, eles agora oficialmente tem até as 1700 do dia 05/11 para saírem. Do contrário a Polícia será a responsável pela ocupação. Polícia esta que a meu ver, que infelizmente e muito provavelmente sairá desmoralizada frente a população caso encoste um dedo sequer ─ mesmo que só para puxar pela camiseta e falar: sai daqui, vai. ─ nesses invasores.

Mais preocupante ainda é: a corporação admitiu ainda que não descarta usar a Tropa de Choque para retirar os VASPs de lá.

Amanhã, pelo visto será um dia complicado. De qualquer maneira, a equipe do Fox Pub deseja a todos um ótimo fim de semana e que aguardem a continuação deste especial.

O prazo está acabando…

sex - 04/11/2011 1 comentário

Quando finalmente for decidido e eu tiver algum tempo, escrevo sobre o que ainda vai se passar, mas para quem está perdido:

A reitoria da USP foi invadida por VASPs ─ Vagabundos Anônimos Sustentados pelos Pais ─ que exigem que a PM saia do campus, a maconha seja deslegalizada e processos administrativos contra alunos, professores e servidores sejam anistiados. A Justiça decretou ontem (03/11) por volta das 1940 que esses invasores teriam 24 horas para sair pacificamente da reitoria. Caso contrário a Polícia estaria obrigada a retirá-los do local com autorização para utilizar violência.

Obviamente a polícia só usa a violência se e quando extremamente necessário, mas ainda assim, temo pelos policiais que provavelmente terão que tirar esses VASPs de lá.

Como eu já disse, escreverei mais tarde quando as coisas se resolverem e me sobrar um tempinho.

Inusitada aventura burlesca no 8º mar da Patagônia do oeste – Parte II

ter - 18/10/2011 Deixe um comentário

“como explicar,
o inexplicável sem começo,
sem criar um conto de fadas.
logo vemos um tropeço,
de outro algo sem um começo,
por isso começo minha história do meio,
esperando pelo menos uma boa cerveja no fim,
ao invés de uma tranfusão de rim.”

o navio começou a tremer. o céu, a escurecer. eu e o capitão Poe nos olhamos e entendemos que aquilo não poderia ser uma ressaca. nenhum irlandês e nenhum escocês poderia sentir o chão rodar sobre seus pés. nem mesmo a física quântica ou o confucionismo explicaria isso. porém, logo vimos uma sombra no mar, o que nos acalentou a ideia de não estarmos com ressaca, mas nos deixou terrificados com a ideia de ser algum ser marinho desconhecido pelo homem, sóbrio ou não.

pensamos que como armas, além de algumas lanças e facões, teriamos um grande número de garrafas de uísque para arremeçar no monstro ou usar como facas, se quebradas. mas não poderiamos desperdiçar garrafas tão magnificamente feitas por escravos em uma sala de 1,0m por 1,5m; 0,5m a mais que as especificações minimas da ONU, só para deixar claro; que brilhavam mais que o Um Anel.

bem, pensamos então em usar os mais pequenos e troncudos, pois eles eram os mais duros e machuvam mais, mas como não sabíamos do que se tratava, arremeçamos um pequeno e um grande e magrelo, só para ver o que acontecia. nada aconteceu e ainda perdemos nosso cozinheiro.

bem, mas algo começou a se agitar nas águas, e vimos algo submergir da água do oceano atroz, ao lado do Oceano disputado pela républica applamanica e os anarco-capitalistas androdianos, uma raça muito diferente que tem como presidente John Cleese. então vimos a vil critarura mostrar a sua cara linda; sim linda, pois quanto mais linda uma critura mais fodido você vai estar, pois mais você vai ter pena de matá-la; lindamente mostruosa. seu corpo com milhares de braços, ou pelo menos foi isso que eu vi depois de uma viagem e 500 litros de uísque, além de um pouco de rum e cerveja.

mas de qualquer forma, eram muitos braços, ao minimo três, porque isso já é mais do que eu tenho, então são muitos.

a fera soltou um terrível grito, uma mescla de agonia, desespero, raiva, azia (azia e não Ásia, melhor, vamos chamar de pirose para nenhum desatento, com meio cérebro, que deve ser o grande público deste pub, pois para conseguir aguentar estas histórias você tem que ter algum problema) e dor, mas não qualquer dor! aquela dor de quando você acerta a beirada da cama com o dedinho, ou quando alguém rouba sua última cerveja e você já roubou todos da sua família, inclusive a você mesmo, para poder comprar cerveja. é desta dor que estou falando.

nos preparamos e arremeçamos mais alguns tripulantes, até percebemo-nos que não teria muita gente para conseguir manobrar o navio. mas nos lembramos das balas de canhões. então com uma brilhante ideia, capitão Poe fez com que nós lançássemos todas as balas no mar, para  que assim, ficássemos mais leves e pudessemos fugir.

infelizmente, uma das balas caiu no dedinho do mostro, e ele ficou incrivelmente mais irritado, algo que já parecia impossível, e começou a nos destruir.

sem escapatória, tivemos que fazer umas das coisas mais deprimente de nossas vidas. tivemos de jogar as garrafas de uísque vazias no mostro. sim, fizemos este sacrilégio. mas pelo número, como disse na parte um desta desgraça de história, tinham milhares de garrafas e cd’s da Lady Gaga boiando pelo mar, fiquei um pouco menos envergonhado, pois o restante de garrafas eram de uma bebida chamada Big Crunch, que como o nome já diz, é igual a teoria, só que em vez de o universo implodir, é seu cérebro que encolhe.

após alguns instantes percebemos que o mostro gigante, com milhares de braços, tinha uma pele da grossura de um texano e da dureza de um quasicristal, ou seja, nós perdemos preciosas garrafas a toa.

por um pequeno acidente, na verdade o tripulante que arremeçou esta garrafa estava bêbado, é caolho, vesgo, tem uma perna de pau, e a mão que ele usou para arremeçar a garrafa é torta e menor. então pela soma desses fatores que deixaria até mesmo Descartes de cabelo em pé e deixa a equação de Drake no chão, o velho conseguiu acertar a garrafa na boca do monstro.

a cena poderia ter parecido uma versão real da cena do filme “300″, em que o Leônidas cheio de bomba arremeça a lança em Xerxes. Porém alguém com a aparência deste nosso amigo, velho amigo e tripulante, mais pareceu uma anão arremeçando um lutador de sumô com as axilas.

então o monstro, inesperadamente ficou bêbado, e mostrou porque nós irlandeses somos mais mostruosos que ele. não é só pelo fato de termos três figados e uma porção de rins, além de olhos mais aguçados para podermos diferenciar as duplicações que aparecem ao beber o equivalente ao volume de água em seu corpo em cerveja. nós também temos uma incrível resistência ao álcool; álcool extra neutro, álcool isopropílico, álcool etanol e qualquer tipo de álcool existente; o que nos da uma grande vantagem para conseguirmos nos manter em pé em uma boa briga de pub; como a famosa guerra dos pubs do oeste do bairro da vila do seu pintim-meio-dedo-do-meio-luxado-porcausa-de-uma-confunsão-entre-uma-tomada-eumfocinho-de-porco; e isso é uma habilidade genética, poucas pessoas tem-a no mundo, além de nós. e este monstro não a tinha.

bem o começamos, nós, a arremessar garrafas e mais garrafas na de uisque vazias na boca do sr. mostro; aparentemente nós não poderiamos ter feito isto, pois aquele mostro era menos de idade tendo somente 222, e a lesgilação daquela parte do oceanos só nos permite dar bebidas a monstros com pelos menos 666, eu sei nós somos umas bestas; e como todos sabemos, o álcool do uisque fica impregnado até mesmo nas particulas atômicas e subatômicas da garrafa, deixando o monstro bêbado, mesmo não havendo bebida.

começamos então a manobrar a embarcação e arrumar as velas, com somente um terço de uma quintilha de um sempticélhimo de nossa tripulação, pois a maioria usamos de testes para arremessar no monstro.

então o monstro tombou e com sua queda, houve uma enorme onda, a qual fez com que nosso navio levado por uma tsunami de 300 pés franceses, que fez com que nós saissemos mar afora, com uma velocidade enorme, enquanto o monstro ficava estirado, lá atrás, na água.

nosso barco vagou a esmo pelos mares, rios; poluidos ou não; represas, Wet N’Wild’s e franquias da igreja pentecostes do pasto Silas Malfalsário; quem não entendeu a piada, é que quando vocÊ passa por uma dessas, você passa por uma dessas, eles tomam uma todo seu dinheiro formando um mar de dinheiro e depois você toma um balde de água fria na vida; até que encalhamos em uma praia, de areia cinza, como um carro de trabalhador de classe média-baixa e fria, como uma piscina na chuva no meio do inverno.

foi então que nossas aventuras começaram.

para quem aguentou a história até aqui, acalmessem, a terceira história vai sair no dia que eu quiser… isso se eu não entrar em greve. muito obrigado e boa noite a todos.

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Suspenderam o Trem Bala – Já não era sem tempo.

sex - 30/09/2011 Deixe um comentário

Sei que hoje é sexta-feira e portanto o texto chegará atrasado, até por isso o texto será curto (edit: pelo menos era para ser) e quem sabe faço mais um… mas enfim, vejam essa matéria que saiu ontem (29/09) no Estadão.

Finalmente fizeram algo para parar o trem-bala. Assim, um trem bala é uma obra incrível, mas por ser uma obra incrível tem seus problemas. No caso vamos pegar apenas dois: tecnológicos e financeiros.

Tecnológicos pois levando me consideração que o Brasil nem uma malha ferroviária relativamente decente tem, quanto mais para operar um trem bala. Infelizmente a incompetência nesse ponto pesa, não tem jeito. Além de não termos a malha para operar o trem bala, também não temos a tecnologia para contruí-lo. Sim, um dos objetivos do projeto é a transferência tecnológica e por isso sairia tão caro, mas mesmo assim, qual a probabilidade de continuarmos a tecnologia depois de nos passarem?

Isso não é de hoje, mas o Brasil começa a sentir falta de mão de obra qualificada. É necessário um número enorme de engenheiros em diversas áreas apenas para viabilizar um projeto destes, quanto mais continuá-lo. Além do que, estamos exportando nossa mão de obra. Não é vantajoso trabalhar no Brasil. Pagam mal, as condições não são lá das melhores e com os diferentes impostos, tributos e eventuais custos; alguns totalmente sem sentido; o salário que já é pequeno fica menor. Mas isso é um assunto econômico-social. Podemos discutir isso depois.

O problema financeiro. O que vou falar agora pode parecer amadorismo de minha parte pois vou pegar alguns dados de memória e de notícias antigas, mas esse projeto começou sendo orçado em R$ 34,6 bilhões; para quem não sabe o quanto um bilhão representa aqui vai duas formas de representálo: notação científica 1 bilhão = 10^9 ou na forma tradicional 1.000.000.000; depois alguns falaram em R$ 53 bilhões e depois a BBC falou em R$ 60 bilhões aqui e aqui, mais tarde; e essa é para coroar; o próprio TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu que não sabe o quanto vai custar.

Sendo a notícia de que não sabem quanto vai custar mais nova, isso explica porque ninguém conseguia chegar a um consenso antes. Aparentemente a verdade é que ninguém nunca soube quanto isso ia custar, mas continuam insistindo.

Olha, não sei, mas será que esse dinheiro não pode ser melhor aplicado? Como por exemplo nos sistemas já existentes? Vamos lá, possuímos rodovias fantasmas e algumas chegam a ser assassinas em nosso país. Não só isso, em alguns lugares; mais na região norte; algumas estradas são abertas e não muito tempo depois tomadas novamente pela mata e pela selva. Beira a insanidade pensar num trem bala para três cidades quando precisamos defender fronteiras e transportar cargas.

Temos que levar em conta a malha ferroviária que é deplorável. Poderia ser modernizada e colocar trems de passageiros sem ser o trem bala. Afinal, ele precisa de terreno plano e de retas para atingir toda a velocidade, sem isso um trem comum é tão bom quanto ele. Minha geografia falha um pouco, mas o Brasil não é um país com muitas planícies. Claro, o terreno é velho e o Pico da Neblina é uma criança se comparada a altura dos Andes que de certa forma; forçando bem a barra; é nosso vizinho, mas mesmo assim, ele é acidentado.

Portos. O de Santos está lotado e creio que com esses recursos poderíamos construir mais alguns ou então reformar de forma decente o que já temos para ajudar no escoamento de mercadorias. Ponte aérea… eu nem vou começar nesse quesito por um simples motivo. Estamos a menos de 1000 dias; mais exatamente: 2 anos 7 meses e 2 semanas à contar da data de hoje (29/09); para uma Copa do Mundo, repito, COPA DO MUNDO e nossos aeroportos não dão conta nem de nosso fluxo interno.

Eu sei o texto é longo. Mas falar da situação dos transportes é só o começo. Ainda poderíamos, quem sabe, aplicar esse dinheiro para a Saúde. Por que não? Afinal de contas a emenda 29 está aí… opa, não está mais, engavetaram.

Preciso mesmo continuar? Sei que é uma sexta-feira e esse texto foi longo, então deixo aos leitores: Depois de vermos tudo isso, precisamos mesmo de um trem bala?

A equipe do Fox Pub deseja a todos uma responsável happy hour e um bom fim de semana.

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