Um livro… ou ao menos o trecho de um.
Não, isto não é mais um dos folhetins que nunca termino por aqui. Quem sabe um pouco sobre mim, tem ciência de que escrevi um livro. E como todo autor iniciante – afinal ser desconhecido é normal – vim fazer o clichê de divulgar o que escrevi.
O nome do livro é “Fantasia: Viagens – Larry” e no momento aguardo ansiosamente que a pessoa responsável pela capa de meu livro termine o trabalho para que eu possa mandar uma cópia – e provavelmente tomar muitos nãos já que começar é difícil – para as editoras Brasil afora.
Por isso, deixarei então o prólogo por aqui. Tudo o que peço das pessoas que lerem é: comentem a respeito. Não do tipo de espalhar por aí – embora eu ficaria grato se isso acontecesse – mas de comentar sobre a escrita, se cativou, despertou o interesse, se foi a pior coisa que leu na vida, que o escritor é bobo feio e tem cara de pastel, poderia melhorar aqui e ali, etc. Enfim, o texto:
?
O líquido no caldeirão era mexido com suavidade. Bolhas formavam-se da mistura e seu potencial era revelado aos poucos e cuidadosamente. Cinco velhos com barbas tão longas quanto suas costas eram corcundas estavam observando. Mas particularmente, um estava roendo as unhas, outros estavam rindo e um tão entediado com tudo que dormiu de pé em seu lugar.
Eles assistiam à cena de quatro pessoas numa situação não muito amigável. Presos numa espécie de caverna e desesperadamente procurando por uma saída.
─ Esse suspense vai me matar. ─ Disse o que roía as unhas.
─ Eu pensei que sua idade faria o favor, seu velho caquético. ─ Disse outro.
─ Não fale comigo dessa maneira seu trapaceiro, nós temos a mesma idade! ─ Disse o velho que estava roendo as unhas; ele parou e balançou seu indicador num fino gesto de desaprovação.
─ Vocês dois podem calar suas matracas? Isso aqui está interessante. ─ Disse um outro deles com um tom de voz jovem que nada tinha a ver com sua real idade.
─ Seu abelhudo! Não se intrometa onde você não é bem vindo. ─ Disseram os dois em uníssono.
Os três começaram uma discussão acalorada, e graças a isso o que estava dormindo em pé acordou. Vendo aquela comoção toda ele fez a única coisa lógica a ser feita. Bateu na cabeça deles com seu bastão de suporte e voltou a dormir.
Eles, por sua vez, não esperaram muito por uma chance de vingança. O ato de arrancar o bastão suporte de lugar, fez o velho ir ao chão como uma fruta madura. Ele levantou tão tonto quanto uma pessoa pode se levantar depois que cai no chão dormindo e depois que recuperou os sentidos, gritou com sua voz de trovão amaldiçoando os outros.
Foi quando o último deles, que não tinha entrado na briga, bateu com força na cabeça dos quatro e gritou para que os ânimos se acalmassem.
─ Alten! Starsi! Vanhuk! Senyvas! Silêncio! Lembrem-se de que o que estamos fazendo aqui é muito importante.
─ Sim, Elder. ─ Disse o grupo como crianças que foram repreendidas pela mãe.
─ Viu o que você fez Vanhuk? ─ Disse Starsi.
─ Eu!? Você é quem fica roendo as unhas e fazendo comentários estúpidos.
─ Eu comento o que eu quero e…
─ SILÊNCIO! ─ Elder gritou com sua voz solene. ─ Pelos deuses! Vocês conseguem ser piores que crianças!
─ Poderia voltar dormir à eu, Elder? ─ Senyvas perguntou na sua inalterável voz de trovão além de severamente perturbada e quase inexistente sintaxe.
─ Não! Agora eu preciso que todos se foquem. Alten, continue mexendo. Nós perdemos a conexão.
─ Me obrigue! ─ Alten disse cruzando os braços.
Elder deu uma encarada profunda em Alten. Não parecia mais o velho rapaz que estava rindo há apenas cinco minutos. Com sua cara cheia de rugas, cabelo totalmente branco e olhos castanhos fundo escuros, parecia muito mais velho do que a verdade; e nesses momentos específicos, não era muito esperto contradizê-lo.
─ Tá bom, tá bom, eu faço. Droga ─ Adicionou baixinho.
Alten começou a mexer e os outros a balbuciar palavras que não seriam reconhecidas em qualquer linguagem possível. Novamente a superfície da mistura se tornou clara o bastante e as imagens voltaram; agora era possível ver quatro pessoas tentando escapar de algo.
─ Mas como eles… ─ Starsi começou.
─ Shh. Quieto. Nós não conseguimos ouvi-los.
Os quatro jovens corriam o mais rápido que podiam de um objeto gigante envolto por uma densa névoa no caldeirão dos velhos, quando, de repente, suas vozes se fizeram claras.
─ Larry! O que nós vamos fazer!? ─ Disse o garoto correndo do lado direito de uma garota, no que parecia um amplo corredor.
─ Continue correndo, Volpi! Apenas continue correndo! ─ Disse o que estava ao centro.
─ Larry! Ailith está cansada! ─ Disse a garota ao lado de Volpi.
─ Aili, querida, você conseguiria aguentar só mais um pouco!? ─ Larry disse usando um tom de voz gentil, geralmente reservado a crianças de cinco anos. ─ Droga. ─ Resmungou para si. ─ O que poderia ser pior que uma pedra gigante vindo em nossa direção?
─ Duas pedras gigantes vindo em nossa direção. Em chamas! ─ Disse a garota do lado direito de Larry que olhou para trás e gritou algumas palavras.
… … … … … …
─ GGGGRRRRRRRHHHHYYAAAAAAAAAAAAAAAH!!!! Lykke!!! Por que DIABOS!?!?!? Se eu pudesse parar por um momento, eu te esganava!!! ─ Vociferou Larry enquanto corria e olhava para trás. E assim foi como, Morte, de repente, tornou-se duas pedras gigantes em chamas.
─ Aw Larry, vamos lá. Apenas pense que as coisas estão agora muito mais interessantes. ─ Disse com um sorriso infantil. ─ Mais, se nós sobrevivermos, nossa história será DEMAIS!
Os velhos assistindo à cena desataram a rir.
─ Que dia maravilhoso para uma boa corrida. ─ Disse Vanhuk num tom bem sarcástico.
─ Aquela certa está garota. A será história impressionante… esperta muito, esperta muito. ─ Senyvas disse enquanto alisava a barba ridiculamente longa.
─ Ainda, essas crianças continuam a me surpreender. ─ Elder disse com seu bom humor de volta em seu rosto.
Eu lamento interromper isto, contudo, nossa história não começa dessa maneira. E mesmo sendo o narrador, eu não gostaria de atrair a ira vingativa deles para mim, tampouco para você. Então… Eu vou escovar os dentes.
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