Um texto estranho ao Pub… 4
Ao abrir o pub esta noite, ouvi um barulho fora do usual no interior do lugar. O que fiz? Abri a porta ainda mais rápido que pude. Quando consigo acender as luzes e ver o que estava acontecendo, ouço a porta dos fundos sendo aberta e não sendo fechada e corro para ver. Obviamente não era a opção mais inteligente, mas quem quer que fosse, saiu em disparada, pois não vi mais nada na rua.
Fecho a porta, tranco-a e sob o balcão vejo uma quantia de dinheiro, uma garrafa de whisky aberta, um copo com ainda um dedo de bebida, uma pequena anotação feita com traços para indicar quantidade e um papel com um texto interrompido, com certeza por mim, que agora publicarei.
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Então, a bala 9mm.
Você não pode esperar ter algo como o que eu tinha em mãos e sair simplesmente incólume de tudo aquilo. Primeiro eu deveria avisá-los de que tinha o objeto, embora isso se mostrou completamente desencessário. Recebi mais uma carta. Maldita carta. Desde que sai não consigo mais tolerar essa caligrafia. É sempre impassível, extremamente polida e direta ao ponto. Dizia:
“Informações chegaram a nós de que o senhor está com algo que nos interessa. Gostaríamos de convidá-lo para que pudessemos efetuar uma transação que fosse benéfica para ambas aas partes. Por favor compareça ao prédio… andar… na rua … as 16 horas de amanhã. Lhe desejamos um bom dia.”
Lhe desejamos um bom dia. Bastardos com esse bom dia. De qualquer maneira o encontro seria dois dias a partir daquele dia. Sem perder tempo algum fui visitar o prédio para saber como eram as redondezas e descobri que era um local relativamente seguro. Digo isso pois era bem movimentado. Logo as chances de acontecer algo eram bem baixas.
Ruas largas com um bom tráfego, policiamento considerável, vários outros prédios ao redor do que eu deveria entrar, alguns cafés e um ponto de ônibus. Se algo acontecesse ali, chmaria a atenção. Principalmente se fosse algo relacionado com armas de fogo.
Mas quem disse que teria tiroteio na rua? Não, na rua haveria apenas um acidente envolvendo três carros, sendo um deles uma pick-up apenas para distração. E enquanto as buzinas rolassem soltas, paramédicos, bombeiros, engenheiros e policiais fossem chamados para resolver o problema, tiros seriam trocados dentro daquela sala no último andar do prédio.
Deixe-me explicar um pouco mais. Era um prédio comercial, logo o último andar geralmente era reservado à empresas maiores que precisavam de mais espaço e talvez o heliponto. Antes de sair de casa no dia da reunião fiz a coisa mais sensata possível. Me arrumei, vesti meu terno e por baixo de tudo um colete a prova de balas.
Me forçando eu conseguia andar em minha velocidade normal e tendo treinado até o dia da reunião, fiz com que o colete virasse quase uma extensão do meu peito. Não iria chamar atenção e de fato não chamei. Porém, fui descuidado com uma coisa. Estava sendo seguido. Digo, estava sendo seguido por pessoas as quais eu sabia que não deveriam estar me seguindo.
No fim das contas, você sempre está sendo seguido, porém, as sombras tem ordens e desde que uma delas não seja “Mate quem você está seguindo” tente não se preocupar demais, do contrário essa será uma das ordens a entrar na lista. De qualquer maneira cheguei ao prédio, dei meus documentos, disse o nome da empresa ─ com certeza um nome falso ─ e fui autorizado a subir.
Ao chegar a sala, um rapaz, vestido de maneira simples ─ camisa, calça social e um par de sapatos ─ abriu-me a porta. Provavelmente um estagiário. Ele disse que a senhora Newman, estaria em breve conosco e que a reunião se daria quando os outros membros chegassem.
“Você está sozinho?” Perguntei a ele. “Sim, os outros todos saíram muito mais cedo, ordens da chefe. Ela me pediu para ficar para que eu pudesse abrir a porta.” “E agora você vai embora?” “Não, esperarei até que ela chegue.” “Não se preocupe, pode ir embora, está dispensado.” “Lamento senhor, mas não posso.” “Ouça o que ele diz Paul” Disse a senhora Newman que acabara de abrir a porta.
Ah, minha ex-chefe. Não mudara em nada desde a última vez que a vi. Era como se ela tivesse parado no tempo. O mesmo corte de cabelo chanel e o rosto que aparentava ter quarenta anos. Mas continuei. “Não lhe vejo há alguns anos, Angela.” “Digo-lhe o mesmo Arthur.” “Vocês se conhecem?” “Sim, Paul, já trabalhei com ela, agora, por favor, deixe nos.”
O garoto timidamente arrumou suas coisas em sua mochila e nos deixou. “Bom rapaz este, Angela.” “Também gosto dele, mas vamos aos negócios. Você foi seguido?” “Pelo que eu saiba apenas pelos seus homens.” “Não foi o que eles me disseram.” Foi nesse momento que gelei, mas fui obrigado a disfarçar. “Entendo.” Emendei. “Creio que estou perdendo o meu toque.” “Nem tanto, Arthur. Esperava que você fosse demorar mais de um ano para me reaver o que preciso.” “Acha que deveríamos continuar?” “Tenho confiança em meus homens, Arthur. Sabe muito bem disso. Vamos aos negócios.”
Entramos na sala de reuniões, notei logo de cara que a porta e a mesa eram reforçadas, o excelente acabamento demonstrava que queria esconder alguma coisa.
“Muito bem Arthur. Você teve meu objeto de volta. O que quer por ele?” Ela começou. “O que você está disposta a me oferecer?” Lhe perguntei. “Posso lhe oferecer o que você quer.” “Não creio que possa me oferecer o fim dos pesadelos.” “De fato não posso. Mas posso lhe oferecer a liberdade, e quem sabe um começo na área em que você queria seguir.” “Isso entra de certa forma em paradoxo. Se eu for indicado por você, certamente irão me vigiar.” “Mantenho minha palavra de que não acontecerá, Arthur. Lhe darei a liberdade e manterei a palavra como chefe da organização e lhe indicarei como Angela Newman.” “Sei que você sabe muito bem separar as coisas. Mas creio que posso começar sozinho, dinheiro não é um problema.” “Imagino que não, você soube investir muito bem o que ganhou conosco. Mas deveria se manter longe de algumas empresas na bolsa, não quero ver você quebrando.” “Obrigado pelos conselhos financeiros, Angela. Mas você viu que consegui cuidar bem de meu patrimônio.” “Sim. acompanhei eu mesma durante um tempo. Mas o que me diz? Aceita minha proposta?” “Ela me parece justa Ange…” Foi nesse momento que não ouvi algo que deveria estar ouvindo. O barulho do ar condicionado, muito silencioso parou.
“O ar.” Foi o que ela disse, e tão rápido quanto pudemos fizemos duas coisas, eu arrastava a mesa em direção a parede para depois tombá-la e ela pegava do cofre um par de máscaras de gás. Não demorou muito. A sala começou a ser inundade de gás e a porta reforçada caiu de forma brusca. Eu que me agaixava para tomar cobertura da mesa junto com Angela só vi uma pessoa entrar e começar a atirar. Foi essa a bala de 9mm que passou próximo ao meu rosto.
Peguei minha 9mm e…
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